quinta-feira, julho 23, 2015

Que Deus nos valha!

            Tomando por referencial base o recente diferendo entre Grécia: anti-austeridade, versos Troika: pró austeridade, com seguras cenas dos próximos capítulos; por mim enquanto individuo meramente humilde e/ou subsistente, diria e digo:

            Primeiro, no relativo a austeridade, esta última é algo que faz natural parte integrante da própria vida humana, terrena e/ou tal como a conhecemos, a ponto de por exemplo eu mesmo estar a escrever pró positiva, vital ou subsistentemente o presente em sequência de significativa austeridade existencial própria, até porque viver em constante e permanente prosperidade é algo naturalmente inviável, salvo se sob artificialidade humana que se paga cara a mais curto, médio ou longo prazo, desde logo e sob forma de frustrante austeridade derivada de se exigir crescente prosperidade que não é naturalmente sustentável em continuo e em permanência. Seja que em determinados momentos, casos e/ou circunstancias a austeridade é algo inevitável, aquém e além da vida normal e corrente do dia-a-dia já exigir por si só alguma natural dose de austeridade. Pelo que ignorar isso equivale a ignorar a própria vida no seu todo e/ou na sua plenitude _ dalgum modo é como ignorar a vida no seu natural paradoxo, desde logo de entre amor e ódio, prosperidade e austeridade, etc., etc., etc., em suma e no limite de entre vida e morte. Ainda que aqui deva dizer que austeridade por austeridade e/ou austeridade duns em favor do unilateral fausto doutros é que é tão anti-natura ou anti-vida quanto não querer austeridade alguma. A partir de que com todas as complexas e responsáveis causas, efeitos e consequências inerentes, no caso concreto da Grécia enquanto devedora, face aos Mercados credores, diria que nem a Grécia tem toda a razão ao não querer pagar o que recebeu e gastou mal, nem os Mercados ou a Troika em alternativo nome dos Mercados têm toda a razão ao pretenderem receber a qualquer austero custo aquilo que emprestaram, mais ou menos irresponsável e inconsequentemente, desde logo com base na ganância ou na de todo errónea ilusão de ininterrupto e imparável crescimento económico da Grécia ou de qualquer outro país ou factor humano. Ainda que aqui eu tenha uma teoria própria que é a de que em directa sequência dos milhares de milhões de €uros disponibilizados a fundo perdido durante anos pela Comunidade Europeia aos seus respectivos membros economicamente mais frágeis como Portugal, Grécia, etc., pró convergência económica entre todos os membros comunitários, respectivamente os Mercados vulgo os Bancos, viram nessa disponibilização uma oportunidade de, mais ou menos legítima ou ilegitimamente, recolher a maior parte desses milhares de milhões de €uros através dos juros derivados da não raro cega ou incompetente e em algum que outro caso até ostensivamente imposta (fraudulenta) facilidade de crédito disponibilizado pela respectiva banca, desde logo aos povos dos países receptores desses milhares de milhões, precisamente com base nesses mesmos milhares de milhões e da respectiva liquidez inerente. De resto e com o andar das circunstancias começo até crescentemente a crer que tendo sido esses milhares de milhões disponibilizados pelos Estados mais economicamente prósperos da Comunidade Europeia, como por exemplo a Alemanha, Grã-Bretanha, etc., e sendo respectivamente os bancos destes últimos Estados a significativa parte dos grandes credores dos respectivos Estados como Grécia, Portugal, etc., receptores dos ditos milhares de milhões a “fundo perdido” e mas ainda assim e/ou até por isso com estes últimos como os mais endividados para com os Mercados, vulgo para com a Banca internacional; o que enquanto tal é não só sinónimo de que duma ou doutra forma os Estados mais prósperos tentaram reaver(*) esperta e ambiciosamente com juros o que disponibilizaram a “fundo perdido”, mas também e/ou acima de tudo é sinónimo da incompetência e incultura económica/financeira dos Estados receptores desses mesmos fundos, enquanto Estados que por si sós e/ou através dos seus Bancos internos foram solicitando crédito à Banca internacional (quase) imparavelmente. Pelo que de entre a ganância duns e doutros, versos a não menor e vital/universal cega incompetência de todos, redundou na crise que agora tão bem reconhecemos e vivemos _ espero que na pior das hipóteses como uma conclusivamente boa (positiva) lição para todos! 
            Segundo, em directa sequência do anterior, mas agora com relação ao continuamente prospero crescimento económico, enquanto recorrente e não raro demagogicamente na boca de políticos e/ou de toda a espécie de doutos ideólogos sociais/civilizacionais; diria e digo reiteradamente que dito crescimento económico jamais será algo continuo e ininterrupto, aquém e além de qualquer artificialidade humana que natural, vital ou universalmente se pagará cara a mais curto, médio ou longo prazo. É que desde logo e por mais não dizer, a própria vida natural modo geral e por inerência a vida humana em particular não funciona(m) de forma linear neste ou naquele outro ascendente ou descendente sentido _ salvo mais uma vez artificialidade humana. Pois que por natureza Universal, a vida funciona de todo mais de forma cíclica do que linear, com respectivos ciclos melhores ou piores, bons ou maus, positivos ou negativos, ascendentes ou descendentes, prósperos ou recessivos, faustosos ou austeros, etc., etc., neste ou naquele outro global ou unilateral sentido. Pelo que Governos, Mercados e/ou em qualquer caso ideólogos e demagogos políticos, económicos e sociais que andam recorrentemente a “vender” a ideia e/ou pior se a fazer a exigência de continuo e linear crescimento económico ou qualquer outro, isso é pura e simplesmente enganosa ilusão, quer para os próprios quer para quem social ou popularmente lhes “compre” essa mesma ilusão. Desde logo com críticos ou pró catastróficos resultados como o que se assiste não só na Grécia, como em muitos outros países Europeus, inclusive na própria União Europeia e pior se a nível Mundial, em que de entre natureza universal e artificialidade humana uns morrem literalmente de fome e outros vivem no mais ostensivo fausto, com uma infinidade de intermédias dimensões inerentes. E não, com isto tão pouco estou a pressupor e muito menos a exigir uma “igualdade” designadamente económica e/ou existencial de entre todos e cada qual, porque tão pouco isso é natural e universalmente viável ou sequer desejável. Agora o que tão pouco me agrada em absoluto é uma desigualdade baseada em artifícios humanos que levam uns a viver no maior dos faustos, muitas vezes e sob muitos artificiais aspectos sem o merecerem e pela inversa outros a passarem dificuldades ou que no literal limite morrerem mesmo de fome, muitas vezes ainda com estes últimos em nome da mais elementar subsistência própria a sustentarem a infinda ambição dos primeiros, sem excluir que muitos dos últimos gostavam de estar no lugar dos primeiros, aquém e além de toda e de qualquer moralidade ou imoralidade duns e doutros ou de entre uns e outros, tudo enquanto tal sob uma pseudo inteligência e racionalidade humana, modo geral. Em que desde logo o mais gravoso da auto exigência humana pró continuo, ininterrupto e linearmente ilusório crescimento económico/financeiro em concreto, tal como a qualquer outro nível humano ou existencial terreno levará sempre a gravosas consequências a prazo, como por mais destacado e/ou gravoso exemplo dessas consequências na continua e crescentemente irracional exploração/destruição de todos e de mais um dos recursos naturais e/ou vitais terrenos, em nome do alegadamente continuo e crescente bem de todos, mas com o constatavelmente continuo mal de muitos e muito previsivelmente conclusivo mal de todos, na circunstancia tendo mais uma vez por unilateral base o (pró) contínuo e ininterrupto crescimento económico/financeiro _ vulgo materialista!  
            Global sequência de entre o que eu como mero subsistente básico e imediato, não raro mesmo esforçado, sofrível e/ou austero, que sob muitos aspectos me custa viver a minha própria vida por si só e/ou face à complexidade e não raro mesmo perversidade envolvente, não posso ter, nem enquanto tal tenho soluções para toda a humanidade modo geral; ainda que até pela minha auto subsistência nas e às minhas dificuldades existências próprias, mas também e/ou acima de tudo às dificuldades existenciais envolventes a mim, me permite ou mesmo me exige ter alguma mínima ideia de possível solução ou de pró solução dessas dificuldades próprias e envolventes, que no entanto auto reconheço ser algo essencialmente genérico e básico, no caso algo baseado na educação para uma cidadania alargada, desde logo baseada no respeito pela e para com a vida Universal, sem subsequente e incontornavelmente esquecer a biodiversidade natural, de que desde logo e em qualquer dos casos todos e cada um de nós humanos somos partes integrantes; em oposição ou pelo menos em alternativa a uma educação essencialmente pró competitividade entre indivíduos e/ou entre sectores sociais em unilateral nome de pragmático crescimento e/ou conclusivo sucesso económico/financeiro, sem mais. De entre o que eu por mim mesmo tenho técnica, objectiva, prática, substancial e/ou positivamente pouco ou nada que acrescentar, mas designadamente a efectiva ou suposta inteligência e racionalidade humana no seu todo individual e colectivo deveria ter em permanência senão a solução pelo menos a abertura a uma solução para os ciclos naturais menos bons ou mais negativos, recessivos e austeros, mas pela inversa o que não raro parece é que a própria humanidade acaba criando artificialmente ciclos menos bons, mais negativos, recessivos e/ou austeros a si mesma, aquém e além da natureza Vital ou Universal, que em si mesma integra a própria humanidade. A partir de que tomando mais uma contextual vez como exemplar caso concreto de entre a Grécia e a Troika, enquanto tal sem previsível e satisfatório fim à vista, que se acaso bem mesmo pelo contrário, com ainda directa ou indirecta e mas tão efectiva quanto múltipla extensão a uma série doutros Estados Europeus e à própria União Europeia no seu todo, por já não falar na complicada e não raro incompatível multiplicidade civilizacional, cultural, ideológica, vivencial, etc., humana a nível Mundial, pergunto onde está ou onde fica a verdadeira inteligência e racionalidade humana, desde logo de entre continua exigência de progresso e prosperidade versos mais ou menos ciclicamente inevitável recessão e austeridade económica/financeira ou existencial, em qualquer caso com não rara falta de respeito humano pela biodiversidade natural e/ou pela própria vida Universal?!
            Por mim que, mais ou menos consubstanciadamente, até não me tenho por ser muito dotado quer em termos de subjectiva fé quer de objectiva racionalidade própria, tanto mais e pior se perante a generalizada loucura humana envolvente e/ou subjacente a tudo o atrás abordado, inclusive enquanto não raro sob muitas e muito supremamente doutas e engenhosas entidades humanas, apesar de e/ou até por tudo, apetece-me conclusivamente dizer: _ Que Deus nos valha!
                                                                                                          VB

           Nota: Não gosto muito do titulo, nem do respectivo final do transacto texto, desde logo na medida em que gostava de ser mais positivamente afirmativo e consequente em e por mim mesmo. Mas de entre a minha afirmativa e consequentemente positiva impotência própria perante problemas humanos, por si só económico/financeiros e existenciais que me ultrapassam em muito, respectivamente foi e/ou é o "melhor" titulo e final que consegui, inclusive ou acima de tudo como também uma forma de critica à não raro meramente arrogante e/ou pseudo suprema inteligência e racionalidade humana!   
   
           (*) Para não cair numa teoria da conspiração simplista ou absoluta, agora que remexi nesta matéria algum tempo após ter postado o texto acima, está-me a ser dado acrescentar que a este nível tão pouco creio que tenha havia uma intensão pré planeada da mais poderosa banca internacional e dos respectivos Estados em que a mesma se integra; agora que em qualquer caso houve como mínimo circunstancial e ambiciosa irresponsabilidade, pelo menos a mim parece-me algo inquestionável, pois que, por assim dizer, a leviandade com que se concedeu crédito barato e ao desbarato quer de entre bancos nacionais e internacionais, por respectiva inerência de concessão de crédito da banca às empresas e aos privados (sociedade geral), em qualquer dos casos ainda com base nos ditos milhares de milhões de €uros a fundo perdido em circulação, foi mais do que já historicamente óbvio, até ao dia em que isso se tornou naturalmente incomportável. De entre o que mais me indigna é que quando a dita "bolha" rebentou foi a própria banca _ vulgo mercados _ a ficar credor/a dos Estados, das empresas, dos indivíduos, da sociedade numa perspectiva de que os mercados é que têm toda a razão, inclusive em Portugal sucedeu que imediatamente após rebentar a "bolha" _ vulgo crise internacional _ houve ao menos um banqueiro que num tom absolutamente superior, arrogante, quase incriminatório, como que dono de toda a razão disse: "acabou-se o crédito fácil", quando quem impingiu inclusive e mais uma vez até ostensivamente crédito fácil e a torto e direito foi a própria banca, de que esse senhor banqueiro era protagonista desde havia muito. Enfim e resumidamente estamos na era da ditadura mercantil, em que sejam quais forem as circunstancias, os mercados têm sempre razão, se acaso inquestionável razão. E agora os Mercados vivem no fausto, inclusive enquanto credores de Estados e da sociedade civil modo geral, com os Estados e a sociedade civil a viverem na austeridade imposta pelos respectivos Mercados como que estes últimos sendo absolutos e inquestionáveis (pseudo) donos de toda a razão, enquanto os Estados e seus respectivos povos subsistem austeramente como os Totós disto tudo! Em alguns casos sob uma designada Troika que se substitui intermediamente de entre Mercados e Estados/Sociedade Geral, em que não raro ou mesmo em regra os gerentes/agentes da dita Troika deambulam funcionalmente de entre a própria Troika, a gestão da Banca e dos Estados credores ou devedores, numa espécie de ciclo vicioso em que, mais uma vez, uns têm toda a razão e outros não têm razão nenhuma: DITADURA

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