quarta-feira, março 12, 2014

O Estado (democrático) do País _ parte II

            A justa medida _ auto critica

            Se bem recordo, ainda em tempo do e$cudo e curiosamente em governo do País liderado pelo Prof.º Cavaco Silva, actual Presidente da República, quase se desencadeia uma “guerra civil” por uns míseros escudos ou centavos de aumento na portagem da ponte “25 Abril”, com uma brutal manifestação popular contra dito aumento.

            Relativamente pouco tempo após a atrás citada manifestação na ponte, entramos na hera do €uro, moeda comum a diversos estados da União Europeia (EU), incluindo Portugal, que não sei exactamente se por isso, desde logo por passarmos a compartilhar a mesma moeda que os países mais ricos e prósperos da Europa e até por isso do Mundo, como a Alemanha, a França, etc., talvez tenhamos pensado que passamos automaticamente a ser todos ricos e/ou a ter as mesmas condições de vida dos restantes países em causa; o facto é que tão só com ""coincidente"" entrada em vigor do €uro, com respectiva e argumentativa base nuns ditos de arredondamentos aumentou automaticamente tudo o que era custo de vida, em alguns casos para o dobro ou mais, incluindo as portagens na ponte, sem o mais ínfimo manifesto popular, regra geral até bem pelo contrário, tudo passando a parecer ser aceitável, incluindo o crescente e se acaso múltiplo aumento do custo de vida.  

            E atenção que com o anterior não estou a defender manifestações por manifestações e muito menos manifestações violentas. Até porque eu mesmo não sou muito de manifestações reivindicativas, no caso sou mais de procurar ser (pró) positivo, construtivo, se acaso criativo e em qualquer caso produtivo a partir de dentro para fora, ainda que e/ou até porque inspirado de fora para dentro; pelo que o que estou a fazer é um termo de comparação e diria mesmo que essa sim violenta comparação, de entre paradoxalmente o pré e o pós €uro. O que há altura associado a uma vertigem do crédito bancário fácil, por si só com este último objectiva e não raro exaustivamente incentivado pelos próprios bancos, até porque há altura havia milhares de milhões de €uros derivados de subsídios comunitários a fundo perdido, dispersos por aqui e por ali, por este e por aquele, que se tanto quanto possível havia que condensar os muitos milhares de milhões dispersos nos mais espertos da sociedade, no caso concreto e inclusive no topo com esperta liderança da banca e dos banqueiros, até porque se algo corre-se como de facto correu mal com a avidez bancária, haveria como houve um Estado para (re)financiar os próprios bancos.

            O facto é que popularmente e ao que tudo leva a crer inebriados pela partilha de moeda com os mais ricos da Europa; pelos milhares de milhões a fundo perdido; pelo crédito bancário fácil e por mais ou menos o que quer que seja, o facto é que nos tornámos um povo e um respectivo país não só profundamente endividado, mas também profundamente apático, perdido de si mesmo, da própria Europa e do que mais universalmente seja _ com ressalva para o facto de que o (re)encontro pode e deve dar-se de dentro e/ou pelo menos a partir da própria perdição. Que no relativo a esta aludida perdição, parafraseando um ouvinte do programa “Antena Aberta” na Antena1 da RDP, este ouvinte disse mais ou menos que: _ “habituamos-nos tanto ao facilitismo que até já nos custa indignar-nos e/ou contestarmos o que sentimos ou constatamos estar mal” e acrescento eu que em certa e por si só democrática medida sentimos-nos ou constatamos-nos popularmente tão activa ou passiva e objectiva ou subjectivamente cúmplices pela critica e austera condição em que estamos mergulhados, que estamos cada vez mais incapazes de reclamar ou de protestar o que quer que seja, mesmo que e por si só legitimamente.

            Não será por acaso que chegamos ao ponto em que e mal comparado seja, acaba sendo mais ou menos como os discos do Marco Paulo, "toda a gente" dizia não comprar por preconceitos culturais, mas mal os discos saiam e imediatamente as vendas chegavam a disco de ouro ou de platina. E com isto devo referir que não tenho nada contra o Marco Paulo cantor, musico ou o que mais legitimamente seja, apenas quero fazer mais um paradoxal termo de comparação com o facto de que “toda a gente” fala mal deste governo, destes políticos, etc., mas o facto é que por um lado alguém democrática e maioritariamente os colocou a governar, além de que esse falar mal não se traduz em efeitos práticos, como por exemplo reivindicando o que se julga ser certo face ou contra o que se julga mal na governação, que até bem pelo contrário parece-me a mim que este governo apesar de e/ou até por tudo, tem tido muitos mais problemas por dentro de si mesmo, como seja por intestina parte da coligação que o compõe, do que de fora para dentro. Aliás não será ainda por acaso que este governo, governa mais ou menos segura, serena, tranquila e firmemente, não só contra a mais ou menos velada opinião popular, mas incluso contra a subscrita opinião de diversas e mas em qualquer caso proeminentes individualidades políticas, sociais, empresariais, sindicais, culturais, etc., etc., unidas consensualmente pró reestruturação da dívida publica, relativamente a que cada vez mais só mesmo o governo e imagino a sua maioritária base de apoio popular democrático contrariam firme e irreversivelmente; com apesar de e/ou até por tudo genérica resignação popular.

            Genérica resignação popular, como aludido atrás, porque no fundo e na verdade tudo está onde e como deveria estar, na sua justa medida, como seja que temos uma maioria parlamentar e governativa democraticamente eleita, para por si só a governar ou a desgovernar de dentro duma condição nacional critica e austera de que duma ou doutra forma todos somos responsáveis _ ainda que uns mais responsáveis que outros naturalmente, incluindo que muitos dos mais activa, executiva e/ou moralmente responsáveis até falam como se não tivessem responsabilidade absolutamente alguma, se acaso até bem pelo contrário! A partir de que salvo eventuais e não vislumbráveis desenvolvimentos que se a sucederem se espera e deseja sejam positivamente favoráveis ao universal e/ou por si só democrático bem do colectivo, seja e signifique isso o que quer que seja ou signifique na prática com relação a todos e a cada qual individual, humana, vital e/ou universalmente! Mas que enquanto pró positiva, prática, activa, funcional, por si só democraticamente jamais será algo mera e/ou absolutamente fácil _ seja que a haver facilidade a mesma deriva da pró positiva gestão das dificuldades inerentes a por si só viver, existir. Seja ainda que jamais alguém disse que a vida e/ou a democracia eram ou são coisa fácil e simples sem mais; sendo que se alguém o disse mentiu a si mesmo e respectivamente ao próximo e/ou vice-versa. Cuja alternativa a não querermos auto, intra e inter assumir as naturais dificuldades da vida e de viver, com pró positivo esforço, empenho e responsabilidade designadamente democrático/as de todos e de cada qual, então pouco ou nada mais resta que cair em degradação e decadência própria e envolvente e/ou então (re)entregarmos-nos a um qualquer regime totalitário e enquanto tal opressivo/repressivo ideologicamente de esquerda ou de direita; de fundamento civil ou militar; religioso ou ateu; etc., etc., que em suma e em qualquer caso tome paternal conta de nós, seus submissos e/ou oprimidos obedientes! Seja que tanto ou mais que escolher eleitoralmente governos de índole partidária, creio que cada vez mais se deve começar a decidir que dificuldade se pretende: a pró condigna e livremente democrática ou a pró paternalista e opressivamente totalitária!?

            Sendo que jamais faltou ou faltará é quem humanamente se sentido tão cheio de si mesmo, por inerência esteja mais ou menos permanentemente predisposto/as a oprimir e a reprimir, desde logo por não raro o que tão pouco falta são humanamente muitos ou tantos outros de nós merecedores de imposição opressiva/repressiva, desde logo por democraticamente mais e melhor não conseguir-mos do que o que tão bem se conhece e que de resto estamos critica e austeramente a viver de momento, com tutelar intervenção externa, inclusive como algo recorrente em nós como povo e como país. E até por isso, como uma espécie de genérica regra existencial própria da nossa popular e nacional parte, pelo menos até não conseguirmos e por isso merecer-mos positiva, vital, universal e/ou por si só democraticamente mais e melhor!...

                                                                                              VB        

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