terça-feira, junho 10, 2014

Razão de fundo

           Atenção: quem não estiver disponível a ler um texto algo extenso e complexo, nem vale sequer a pena começar a ler o que se segue, especialmente quando cada vez mais nos habituamos a escrever e ler _ vulgo a twitar e/ou a facebookar_ pequenas frases, conceitos e/ou comentários! A partir de que o que se segue é para quem sentir natural curiosidade e/ou necessidade de o ler, sendo que desde logo ou antes do mais o mesmo nasceu e existe por e para com a minha pró vital, sanitária, subsistente e/ou descompressiva necessidade própria, de no caso o escrever e aqui expor, neste último caso a quem o respectivo for natural ou circunstancialmente dado ler.  

            A partir do que passemos então à (pró) razoável essência de fundo:

            Por inerência do mais recente e por si só imediatamente anterior texto que escrevi e aqui postei sob titulo: Indecência e perversidade, mas a que segundo a minha própria consciência de autor do respectivo lhe faltou um parágrafo fundamental, cujo esse mesmo parágrafo em falta é o que agora me está a servir para a escrever o presente, já não pelo parágrafo em si mesmo, mas sim por tudo o que está sub e sobrejacente ao mesmo. Mas que em qualquer caso o fundamental parágrafo em causa, enquanto no texto anterior enquadrado numa sequência de indecência e perversidade governativa e existencial modo geral, é o seguinte:  

            _ Sem prejuízo doutros anteriores ou posteriores governos nacionais portugueses ou extra portugueses, o facto é que o actual governo nacional Português liderado pela coligação maioritária PPD/PSD-CDS/PP tanto ou mais que governar, acima de tudo foi e é governado pelos afamados ou quiçá malfadados: anónimos mercados. Algo, os mercados, que em significativa medida não me atrevo a criticar, se acaso até bem pelo contrário chega mesmo a apetecer-me prestar-lhes a minha reverência, desde logo enquanto sendo os mercados um factor social e/ou civilizacional que natural e tanto mais se democraticamente acabou impondo-se sobre todo e qualquer outro respectivo factor social ou civilizacional global, incluindo o por si só fundamental sector político. 

            Mas a partir daqui, segundo a minha consciência e perspectiva ao respeito, talvez possa e no caso até deva criticar a ditadura dos mercados sobre todo e qualquer outro factor social ou civilizacional, o que por si só está a levar à miséria material e acima de tudo à miséria existencial de milhares de milhões pelo mundo, em favor da opulência material e/ou existencial duma minoria tão mais minoritária quanto maioritária seja e é a sua inversa maioria. Tudo isto tão mais criticável ainda quando e por quanto o mesmo se esteja a passar na base e no contexto duma cada vez mais difusa conivência de interesses entre os governos nacionais democraticamente eleitos e seus respectivos integrantes com os respectivos e enquanto tal ditatoriais mercados. O que será ainda tão mais ou menos criticável quanto essa conivência de interesses se esteja a dar ou dê à revelia de pelo menos significativa ou mesmo maioritária parte dos eleitores de mesmos ditos governos nacionais democraticamente eleitos _ como o actual governo nacional português que foi eleito com base em promessas eleitorais enganadoras, desde logo porque segundo um respectivo responsável governamental e/ou da maioria parlamentar que apoia o governo: se não fosse assim o povo não votava neles. Isto aquém e além do que todos e cada um de nós ou da maioria de nós indivíduos e/ou Estados Nação contribuamos para a efectiva e global ditadura dos mercados, já seja através dum material consumismo exacerbado e/ou tanto mais se através de endividamento económico/financeiro com relação aos mesmos ditos mercados, sem ainda esquecer os que simplesmente nem podem mercantilmente consumir e muito menos endividar-se com os mercados 

            Enfim, quero eu com tudo isto dizer que apesar de e/ou até por tudo depende de todos e de cada um de nós fazer democráticas ou pelo menos e na já presente situação da ditadura mercantilista fazer pró democráticas opções próprias e acima de tudo responsáveis, como desde logo evitando ao máximo endividarmo-nos individual e colectivamente com os mercados e/ou por exemplo consumindo apenas o estritamente necessário à nossa mais básica e imediata subsistência, em qualquer caso procurando a satisfação existencial a partir de nós mesmo e do nosso próprio intimo, ainda que com referente, influente, prática e em qualquer caso consequente relação ou interacção com o respectivo exterior, desde logo com o próximo e se acaso com os próprios mercados; em que designadamente e de qualquer modo o nosso bem-estar e/ou bom viver dependa também e/ou se acaso até acima de tudo do bem-estar e/ou do bom viver do próximo. Tudo aquém e além da possessão materialista ou da mera ostentação de bens materiais de consumo, em qualquer dos casos de base mercantilista, não raro às custas do próximo e/ou da miséria de muito significativa parte da população global e de cada país em particular, já seja com base na mais infame exploração duma parte da humanidade sobre a restante humanidade e/ou ainda da indiscriminada exploração humana dos recursos naturais e/ou ainda com base em actividades e tráficos de base literalmente ilegítima, sem na base ou quiçá no topo do “bolo” deixar de incluir o endividamento individual e/ou colectivo para com os mercados, não raro para cada qual possuir e/ou mesmo para ostentar materialmente, sem mais, se acaso como (pró) compensação ao que e como substancialmente nos falta por dentro! 

            Por mim não sei se deveria guardar a seguinte revelação para um outro momento e/ou contexto; mas como creio que a mesma se encaixa no por si só já presente contexto, vou expô-la desde já e que no caso é a seguinte: 

            _ Desde logo confesso que jamais fui de me endividar, mas cheguei a consumir só por consumir e/ou como meio e forma de compensar carências interiores. Mas, acima de tudo, há muito, anos, que vivo ou pelo menos que subsisto como se não houvesse amanhã, como se cada dia e/ou cada momento fosse(m) o(s) último(s). Ainda que isto não numa relativamente comum base de consumir e/ou de explorar os meios e os recursos envolventes a meu belo e unilateral ou corporativo prazer e interesse próprios; mas sim de procurar constante e permanentemente o melhor de mim mesmo, ainda que e/ou até por com referente, influente e consequente base nos e para com os melhores meios e recursos envolventes, até porque algum dia eu “irei”, mas a vida envolvente ficará e até desde logo por um profundo respeito pela minha própria infância, mais pela infância dos que me são queridos e pela própria infância enquanto tal, enquanto infância como base da vida humana com a sua respectiva e consequente importância para a vida de cada qual e por inerência para a vida global, a partir de que pelo melhor e pelo pior e para o bem ou para o mal, no que depender de mim gostaria e tudo, democraticamente, farei para que a vida envolvente seja e fique no e pelo seu vital e universal melhor! 

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            Seja que todas as ditaduras e todas as democracias dependem, duma ou doutra forma, sempre de todos e de cada um de nós, já seja de forma activa e interessada e/ou de forma passiva e subserviente. Por mim fiz há muito a (pró) democrática escolha de preferir ser pobre por fora, vulgo materialmente, em abono de procurar ser rico por dentro, vulgo substancialmente. No primeiro caso e enquanto relativo a mim, diria que vivo/existo correntemente no limiar da mais básica e imediata subsistência material, de resto e ainda assim se não vivesse sob o tecto do lar maternal/paternal, que por exemplo me permite espaço, tempo e disponibilidade geral para estar a escrever o presente, de resto não sei o que seria de mim, talvez como melhor das hipóteses fosse um mero frustrado que cíclica e redundantemente se limita a sobrevier de forma básica e imediata sem mais e/ou se como piores das hipóteses fosse um mero degradante e decadente, que enquanto tal até talvez já nem existisse e/ou ainda nesta mesma pior base e mas doutra perspectiva pode-se ser um dos muitos que ilegitimamente enriquecem às custas da miséria alheia e/ou degradação do próprio planeta, aqui com duas respectivas variantes ou seja com aqueles a quem, por unilateral interesse material (económico/financeiro) e designadamente por via da lavagem de altas somas financeiras, etc., a ditadura dos mercados acaba paradoxalmente legitimando a respectiva ilegítima existência e os outros que mais tarde ou mais cedo e duma ou doutra forma acabam caindo nas malhas da lei judicial(*) e/ou nas respectivas malhas da sua própria ilegitimidade, por exemplo caindo aos pés doutros tão ou mais ilegitimamente ferozes que os primeiros. Já no segundo respectivo caso, enquanto ainda relativo a mim, diria que o mesmo fica e está essencialmente dependente de mim próprio, ainda que e/ou até porque com base em eu seguir as melhores ou as piores referências e influências pessoais, humanas, sociais e/ou vitais/existências envolventes, desde logo com base no que e como é democrática e socialmente legítimo, mas acima de tudo com base e em sequência do que e como eu mesmo sinto intima e profundamente como vital e universalmente legitimo, o que de qualquer modo e em qualquer caso me é um caminho constante, permanente e até infinito, de que por si só o presente é pelo melhor e pelo pior e para o bem ou para o mal, paradigmático e fundamental resultado prático. 

            A terminar só quero e necessito dizer que com tudo isto não estou em absoluto a fazer a apologia da pobreza pela pobreza, desde logo da pobreza material e designadamente mercantil ou como espero minimamente constatável muito menos ainda a fazer a apologia da pobreza substancial, desde logo espiritual. Nem tão pouco pretendo ainda aqui defender a chamada “igualdade” de entre todos e cada qual, desde logo porque individualmente somos todos distintos logo à partida, além de que se as experiências de vida também moldam a nossa vida e/ou identidade própria neste ou naquele outro sentido, logo e por mero ilustrativo exemplo diria e digo que mesmo num sistema de ensino oficial rigidamente pró igualitário, bastará no entanto ter dois professores diversos numa mesma disciplina ou programa curricular para que por si só haja diferenças na forma de ensinar, de aprender e nos respectivos resultados finais dos alunos, incluindo que em qualquer caso as diferenças individuais entre todos e cada qual fará sempre com que uns aprendam mais rápido e/ou de formas diversas a outros, tanto mais se de entre por si só professores e/ou sistemas de ensino diversos. Mas aquém e além de que por princípio defendo equidade de universais direitos de acesso e de usufruto (pró) educativo, sanitário, judicial, cultural e existencial modo geral, de entre nós humana e socialmente isso sem dúvida. Mas no caso a ditadura dos mercados, como de resto qualquer outra ditadura e/ou pseudo democracia faz e fará sempre com que nem os universais direitos de princípio sejam devida e conclusivamente cumpridos, porque no caso quem tem ou tiver mais poder económico/financeiro, por si só e na circunstancia do ditatorial poder mercantilista, também terá sempre mais conclusivos direitos sociais ou existências modo geral, aquém e além de universalmente legítimos ou ilegítimos. Pelo que da minha parte o que pretendo e necessito sim é encontrar e/ou seguir um caminho de vida que seja pessoal, humana, vital e universalmente legitimo e digno, designadamente com tudo o que isso implique social, cultural, politica, mercantil, ecológica e/ou por si só existencial modo geral. Desde logo sem prejuízo de algum eventual dia conseguir encontrar e passar a conjugar equilibrada e legitimamente riqueza exterior (material) com riqueza interior (espiritual), enquanto por mim mesmo e para com o todo global e/ou universal que efectiva ou potencialmente mo permita; salvo que pelo menos de origem sócio/cultural eu não me sinta propriamente vocacionado para gerir “grandes” riquezas, desde logo materiais, aquém e além de que a minha maior ambição é ter uma vida o mais simples possível. Mas até por isso prefiro auto assumir, designadamente, a minha pobreza material original e crescer por exemplo (pró) racional, intelectual, espiritual, por si só substancial e se acaso também materialmente a partir da mesma, cujo intermédio e espero que universalmente razoável resultado, pelo menos até ao presente momento, está por si só aqui à vista _ nomeadamente com a material possessão dum PC e duma conta de Internet que respectivamente me permitem escrever e partilhar o presente, enquanto o presente como permanentemente imperfeito e inacabado produto do meu (auto) gestionável investimento interior ou (pró) substancial próprio! 

                                                                                              VB  

            (*) Lei judicial, que é em si mesma significativamente impotente e/ou submissa perante a, na circunstancia, ditadura dos mercados          

   

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