sábado, setembro 15, 2012

Desestruturação social de base capitalista _ sequela

              A verdade é que as malfadadas e sobre reiteradas “crise” e “austeridade”, com respectiva desestruturação económica, financeira e necessariamente social, tiveram a sua origem ou grande fundamento no sistema financeiro/capitalista _ por assim simplistamente dizer: com princípio, meio e fim no lucro, vezes o lucro, mais o lucro, vezes o lucro... até ao infinito.... O que entenda-se e como ouvi alguém dizer há tempos, salvo erro o jornalista e colunista espanhol Iñaki Gabilondo, com quem resumida e conclusivamente concordei, e por tanto cito-o e subscrevo-o em absoluto: “...algo que não era sustentável, até pelas limitações do próprio planeta!
           
            O facto é que antes, durante e depois de tudo, em especial os banqueiros como por assim dizer a nata do sistema capitalista, que aquém e além de fieis depositários e gestores dos bens financeiros ou outros de todos e de cada um de nós que lhes confiamos esses bens; respectivamente e que até por isso, na sua esmagadora maioria ou pelo menos em significativa parte (os banqueiros) são gente bastante competente e eficaz, que com mais ou menos legitimidade ou ilegitimidade legal, vital ou universal, mas desde logo muito discretamente sabem levar e levam a água ao seu respectivo moinho. Desde logo sabem defender os seus interesses, inclusive em nome dos que lhes confiam o deposito e/ou gestão dos seus (nossos) respectivos bens.

            A partir de que tenho de concluir que, apesar de e/ou até por tudo, inclusive na vertigem do lucro e numa feroz competição liberal pelo mesmo, os banqueiros tiveram grande ou mesmo substancial responsabilidade na “crise” e na “ austeridade” com a inerente e crescente desestruturação social que estamos a viver _ pelo que talvez e em certos aspectos, também os banqueiros, estejam tão ou mais próximos da esperteza matreira que da inteligência universal. Mas então e a partir do que tão pouco e/ou acima de tudo, posso deixar de taxar de incompetente e/ou de corresponsável a respectiva gestão política, com respectiva e activa ou passiva cumplicidade democrática de todos e de cada um de nós sociedade civil _ necessária, natural e invariavelmente que com mais responsabilidade duns que outros. Até porque são os políticos que gerem a sociedade modo geral e por isso também a própria política financeira e bancária, sendo que quem elege os políticos, em democracia, somos nós _ dito povo. Pelo que se nem os políticos sabem o povo com quem lidam e que os elege para pelos mesmos serem ou sermos dirigidos, nem respectivamente o povo conhece os seus políticos a ponto de se cair cíclica e redundantemente nos mesmos erros eleitorais _ salvo a pobreza de alternativas _ em qualquer dos casos é grave e pode explicar dalguma forma a "crise", a "austeridade" e a crescente desestruturação social em que estamos mergulhados e que se fazia adivinhar há muito!  

            Que como já referi com acrescida responsabilidade prática estão os banqueiros, enquanto nata do sistema capitalista; com a à prior, à posterior ou paralela responsabilidade da gestão política, que devia precaver e em ultima instância evitar males maiores do dito “capitalismo selvagem” e não o fez, bem mesmo pelo contrário; salvo as devidas excepções, de resto e em regra com todos e cada um de nós sociedade civil, que quer a eleger-mos democraticamente os políticos em causa, quer a sustentar duma ou doutra forma o sistema capitalista “selvagem” enquanto tal _ desde delegando em alguns ou em muitos casos, para além do devido, inclusive com base em "produtos financeiros tóxicos" quer o depósito quer acima de tudo a gestão dos nosso bens à banca, quer a respectiva ou até prévia gestão social modo geral nos políticos, em causa! Acabando por estarmos todos duma ou doutra forma envolvidos no melhor(?!) e no pior inerente à situação política, económica, financeira e social actual.

            Sequência de que salvo sempre as devidas excepções, de resto e regra geral ponhamos todos a mão na consciência, antes, durante e depois de apontarmos o dedo ao próximo. Sendo que aqui todos se acusam uns aos outros, sendo sempre o outro o único ou pelo menos o mais responsável. E claro que neste aspecto, quer as elites financeiras, quer políticas que enquanto tais como efectivas maiores responsáveis deviam ser os primeiros a fazer mea culpa, ao invés de como não raro fazem ao colocarem-se em “bicos de pés” do alto duma superioridade que em parte só possuem porque a sociedade lha confere. Mas até também por esta ultima acepção, regra geral quem quer que seja jamais está social e totalmente livre de correspondentes responsabilidades, tanto mais se num sistema político/social dito de democrático e livre.

            E quanto a positivas ou alternativas propostas de solução para a "crise", para a "austeridade" e para a respectiva desestruturação social, poucos as apontam, inclusive parece haver sempre quem esteja mais predisposto a destruir ainda mais, com base no que já é precário e decadente, do que a construir o que quer que positiva e alternativamente seja. Por mim remeteria aqui para o Blog: Pensando e Falando, de que de resto sou seguidor desde há significativo tempo, e para o respectivo post: A crise...PKP..., em qualquer caso de autoria duma cidadã dita comum Armanda BarbosaVerdinha, que no caso faz aquilo a que eu chamo uma critica positiva!

            Que por mim e na minha muito significativa e positiva impotência(*) pessoal, política, social, económica, financeira, etc., aquém e além de ir escrevendo e expondo coisas como esta, de resto só posso esperar que as causas, os efeitos e as consequências de tudo isto, desde logo da “crise”, da “austeridade” e/ou da significativa desestruturação social inerentes, sejam em conclusão o mais transversalmente positivas, se acaso uma muito boa lição para todos relativamente ao futuro.

            Entretanto e acima de tudo que viva a Democracia e a livre responsabilidade de todos e de cada qual, pelo melhor e pelo pior, para o bem e/ou para o mal; que se como humana, vital e universalmente devido, só por certo é e será sempre pelo melhor e para o bem!

            Responsável, livre e consequentemente:

                                                                                  Victor Barão

            (*) Impotência sim. E ao dize-lo não estou a ser falso modesto, cínico, hipócrita ou dissimulado, porque de facto, auto gerir a minha vida ou existência própria, já é algo com que não raro me vejo tremendamente “engasgado”. Seja que tenho passado a vida por um lado a tentar (re)entrar-me comigo mesmo e por outro lado a tentar mudar-me naquilo que e como não gosto em mim, sem que um ou outro dos empreendimentos em causa esteja efectiva e definitivamente concluído ou pelo menos estabilizado. Pelo que nem de perto, nem de longe posso sequer imaginar poder “mudar o mundo” e/ou o que ou quem mais quer que seja aquém e além de mim mesmo _ sendo que no caso nem isso tenho conseguido, pelo menos com total satisfação. O que posso, isso sim e nesse aspecto, com ou sem imodéstia, admito-o, é que neste e com este meu auto gestionado processo existencial próprio, possa duma ou doutra semi objectiva ou subjectiva forma influenciar o que ou quem mais quer que seja, desde logo e por paradigmático exemplo, tendo por base o que e como aqui escrevo e exponho pró publicamente _ mas mais ou melhor que isso, é algo que está imediata ou absolutamente fora do meu objectivo alcance, algo ao invés de como por exemplo fazem os políticos ao apresentarem-se como salvadores da pátria e se acaso até do mundo, aquém e além da maior ou menor substancia de partida e de chegada em que e com que o fazem! 

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